início / blog / autoconhecimento
autoconhecimentojornada da protagonista #1: onde você deixou a criança
primeiro dia da jornada da protagonista, uma live de três noites sobre o que trava quem quer aparecer. começamos pela criança, pelo céu que alguém disse que não podia ser rosa e por um passo pro lado que muda a resposta.
a jornada da protagonista foram três noites de live, em fevereiro de 2021, no meio da pandemia. a ideia nasceu de uma coisa que eu ouvia o tempo todo dos meus clientes. gente com experiência, com conteúdo, com amor pelo que faz, que queria aparecer, ser lembrada, ser procurada, e travava. ao longo dos anos, conversando com essas pessoas, fui percebendo que quase sempre a trava vinha de um de três lugares. a criança que ficou pra trás, a responsabilidade que a gente empurra pros outros e a decisão que a gente não toma. por isso foram três noites, uma pra cada. e o nome veio daí: chega de ser antagonista do seu próprio filme.
de onde eu tiro o que eu falo
eu não divido nada que eu não tenha vivido ou que eu não esteja olhando em mim. então comecei por mim. nasci em salvador, fui criado com vó no começo, filhinho de mamãe. com quatro anos, fui morar com meu pai na roça, em mata de são joão, numa escola de filho de agricultor que tinha duas turmas, a de quem sabia ler e a de quem não sabia. depois, na cidade, fui o branquelo loirinho num bairro de maioria negra. depois, o bolsista que tirava nota boa numa escola que não era do meu universo. em todo grupo eu era o diferente.
quem é diferente em todo lugar aprende cedo a criar armadura. eu ouvi uma coisa naquela semana que me pegou: a parte ruim de ser forte é que todo mundo acha que pode te mandar as pancadas. aguentar a pancada não quer dizer que a gente não sente. a diferença é que a gente não cai e continua indo. isso que eu construí pra me defender, hoje eu uso a meu favor. e é isso que eu queria pra quem estava ali: uma marca pessoal que nenhum problema desses consegue parar.
o que você gostava de ser
a criança que você foi não some. a surra, o elogio que não veio, o papel que você tinha na turma, tudo isso vai formando o jeito que você vê as coisas. e adulto pode decidir o que faz com isso, se usa o que tem de bom ou se fica preso no que doeu.
então eu pedi pra cada pessoa lembrar. o que você queria ser quando era criança? qual brincadeira te dava mais prazer? você era quem inventava a brincadeira, quem organizava, quem só seguia, quem ficava quietinha no canto criando? eu lia muito até os catorze, quinze anos, tinha lista de livro que minha mãe me ensinou a fazer. em algum momento parei e fiquei só no livro técnico. por que a gente deixa isso pra trás?
uma vez ouvi uma professora dizer pra minha filha que o céu não era rosa. o céu dela é da cor que ela quiser. em que momento você deixou que alguém ditasse a cor do seu céu?
o menino, o burro e a confiança
meu filho se joga em cima de mim de qualquer lugar, da cama, da beira da piscina, sem olhar, porque sabe que eu seguro. quando foi que a gente parou de confiar assim? num curso de palhaçaria que fiz, tinha uma dinâmica em que você corria de olho vendado até alguém te segurar do outro lado da sala. no meu caso precisaram de duas pessoas, hehe. eu fui até o fim com medo, mas fui, e me seguraram.
e tem o burro da roça. criança, eu achava ele gigante. adulto, voltei e ele era baixinho. a gente cria essas histórias na cabeça e carrega elas como se fossem do tamanho que eram.
reputação começa no recreio
o popular, o brigão, o inteligente, o chato, a que dança bem, o que resolve tudo conversando. a gente forma esses rótulos na infância e leva pro mundo adulto. aquele colega que não era de confiança na escola vira o motivo de você desconfiar, anos depois, de alguém que só se parece com ele. e quem a gente vê, a gente vê como estava. ninguém é, a gente está.
o reforço positivo faz uma diferença enorme nisso. o elogio depois de uma coisa bem feita forma gente mais confiante do que a ameaça do castigo. e a criança cresce buscando reconhecimento, primeiro do pai e da mãe, depois do professor, do chefe, do namorado, do cliente, do seguidor, e esquece que o reconhecimento que mais importa é o dela mesma.
um passo pro lado
acolher a criança é diferente de virar criança de novo. você é adulta, não vai voltar a ser mimada, e quem ainda é pode assumir a responsabilidade de fazer diferente. acolher é dar um bom lugar pra ela.
aí ensinei a ferramenta que eu mais uso. quando alguma coisa te tira do sério e você quer responder na hora, de pé batendo no chão, pare. pense na situação, na pessoa, na raiva. dê um passo pro lado direito e se pergunte: como eu respondo isso como adulta? perceba o que muda no corpo e no pensamento. se estiver sentada com um cliente que está contestando seu projeto, dá pra fazer o mesmo virando um pouco a cadeira, saindo do confronto de frente. funciona na maioria das vezes. quando eu esqueço de usar, aí eu acabo com tudo, rs.
a outra é pra quando você vai entrar num lugar inseguro, numa reunião, num primeiro encontro. imagine seu pai biológico atrás de você, à direita, e sua mãe atrás, à esquerda. perceba como a postura muda. e se a outra pessoa estiver muito acelerada, imagine os pais dela atrás dela também. quem se sente apoiado não precisa atacar.
a visualização
fechamos com uma visualização guiada, um pouco de constelação, um pouco de pnl, com o controle todo de quem estava ouvindo. descer uma escada, entrar num lugar só seu, encontrar num espelho a criança que você foi, agradecer a ela por tudo que viveu, bom ou ruim, e seguir como a adulta que você é. eu acredito muito nisso porque o que o corpo aprende ele não esquece. informação qualquer um despeja, experiência fica.
o que você mais gostava de fazer quando criança, e em que momento parou?
fui. 💚


