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conversas

a marca que nasceu com você

de volta ao octanage, abri com o andré piazza o passo a passo que eu usava em 2019: autenticidade, propósito, responsabilidade, worklover® e lovenicho®.

por kerkbrander · fabiokerk®
· 58 min de podcast · 10 min de leitura
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oito meses depois da primeira entrevista, voltei ao octanage. dessa vez quem me recebeu foi o andré piazza, no propulsão, e o motivo foi a amizade que ficou depois da gravação, aquelas trocas de ideia de madrugada no whatsapp. eu tinha deixado o "design de propósito" pra trás e tava trabalhando com uma ideia nova, a marca que nasceu com você. a conversa virou o passo a passo do meu método naquela época, e muita coisa dele continua viva no que eu faço hoje.

a roupa de super-herói

contei que trabalhei em mais de 40 lugares diferentes antes de assumir fazer só o que eu amo. e que, pra mim, felicidade não é coisa de tempo integral, é um estado. quanto mais tempo você passa fazendo o que te dá prazer, mais tempo você passa nesse estado. e o trabalho ocupa tempo demais da vida pra gente passar ele infeliz.

meu ponto forte no design sempre foi o briefing, ouvir o cliente e juntar o que ele deseja com o que ele precisa. com marca pessoal, o design virou ferramenta, quase uma roupa de super-herói que a pessoa veste pra aparecer na rede. mas antes da roupa vem a pessoa. todo mundo nasce com uma marca, e a ideia é usar isso a seu favor.

como você se vê e como você é visto

um dos momentos mais impressionantes do meu processo é quando a pessoa fala como se vê e depois descobre como é vista. quase sempre são duas pessoas diferentes. e como você é visto é, de fato, a sua marca pessoal. se uma pessoa acha uma coisa de você, pode ser implicância. se várias falam a mesma coisa, aí o errado é você. esse é o primeiro termômetro. quanto mais você se fecha no seu mundinho, mais você foge desse retorno.

o andré lembrou da campanha da dove em que as mulheres se descreviam pra um desenhista e depois um estranho descrevia elas. o retrato feito pelo estranho saía muito mais fiel. é exatamente isso.

das perguntas aos adjetivos

o briefing técnico de design não dava conta do gosto e do ego da pessoa, e todo negócio tem uma pessoa por trás. aí eu peguei as quatro perguntas que mais me marcaram: como você se vê, como você é visto, como você quer ser visto e como você não quer ser visto. no começo eu anotava tudo que a pessoa falava. depois simplifiquei pra adjetivos, porque adjetivo todo mundo entende. minha filha de sete anos sabe o que é bonito, feio, forte, fraco, velho, novo.

a pessoa responde com os adjetivos que vêm primeiro na cabeça, antes de passar pelo racional. depois eu recorto as cinco palavras que mais representam ela como marca. e tudo que ela comunica, o produto, o texto, a forma de falar, precisa carregar pelo menos três dessas cinco. quantas vezes eu ouvi "sou muito engraçado, todo mundo sabe", e no texto da pessoa não tem um "rs", um "hehe", nada. aí vem aquele comentário: "pessoalmente você é muito mais simpático". a autenticidade se perde no online. nós, imigrantes digitais, precisamos aprender a levar o contato olho no olho pra rede, porque a primeira impressão acontece em fração de segundo, seja num vídeo, num áudio ou numa pessoa falando de você pra outra.

no meio disso tudo, meu papel é separar o que a pessoa deseja do que ela precisa, e enxergar as interferências. muita gente vira o que o grupo queria que ela fosse. o clássico "virei médico porque meu pai queria".

primeiro passo: autenticidade

muita gente quer saber o sentido da vida antes de saber o que tem na mochila. é querer chegar no primeiro andar sem subir a escada. pra saber aonde você vai, precisa saber o que você é. e isso começa por escutar o seu silêncio, coisa que quase ninguém faz no meio de tanta tela e tanto barulho, e por olhar pra sua origem.

tem gente que nega pedaços de si. eu mesmo fiz design, sistema de informação, constelação, docência, e já me perguntei o que colocar na bio. não preciso escolher, tudo isso sou eu. o que precisa é um recorte. atendi uma médica com três residências e mais quatro formações que colocava tudo no perfil. ouvi ela por duas horas e o olho dela brilhava num tema: ansiedade e estresse. falei pra ela virar a doutora da ansiedade e do estresse. as sete formações viraram as ferramentas que diferenciam o trabalho dela. quem chega com ansiedade quer o problema resolvido, a ferramenta é detalhe.

na minha mochila tem design pra quem é racional e só se resolve com a marca na mão, auto-hipnose e constelação pra quem tem a marca mas não consegue assumir quem é, e educação pra quem acha que não consegue aprender o que falta. cada um aprende de um jeito, mas todo mundo aprende fazendo. o corpo aprende mesmo quando a cabeça não acompanha.

e nas perguntas, o que mais conta é o que acontece em volta delas. o filho que entra na sala, o café, a conversa paralela. eu peço pra pessoa lembrar qual era a marca dela na família, no grupo da escola, no curso de inglês, na faculdade, no trabalho, e em que momento ela parou de fazer aquilo que a deixava feliz. eu sou só o motorista do ônibus. a pessoa olha pela janela e tira as próprias conclusões, e pode pedir pra parar onde quiser.

segundo passo: propósito

depois de saber quem você é, vem pra onde você quer ir. olhando minha vida, percebi que o que nunca mudou foi o prazer de trazer solução pros outros. trabalhei em operadora e me perguntavam que plano de celular escolher, trabalhei na nokia e me perguntavam que celular comprar, trabalhei com carro e me perguntavam que carro comprar. o problema é que a cada assunto novo eu tinha que pesquisar um mercado novo. aí eu levei esse prazer pro design e pro desenvolvimento humano, e fiz o recorte.

propósito é aquilo que te faz pular da cama antes do despertador. ninguém aperta soneca no dia do churrasco, né? e tem uma coisa que eu disse ali e continuo acreditando: nossos avós trabalharam por obrigação, e a nossa geração tem a chance de honrar eles fazendo o que gosta. no meu condomínio tem 60 pessoas, quantas iam querer uma marca? a internet abriu o mundo, a faca e o queijo tão na mão.

contei também a história do auditor fiscal. eu e o marcelo antoniolli, meu parceiro no eu sou minha marca, conversando com ele, e quando ele falava do trabalho era tudo automático. aí eu perguntei das orquídeas que eu tinha visto. o olho do homem brilhou, ele pegou o celular, mostrou foto, mostrou site, virou outra pessoa. perguntei se ele viveria de orquídea e ele disse que não, que era só prazer. o marcelo já tava mostrando perfis de gente ganhando bem com orquídea. às vezes tá escancarado e a pessoa não vê.

terceiro passo: assumir a responsabilidade

aqui eu fui duro, e sou até hoje. se você não tá satisfeito com a casa, o trabalho, a família, o quanto ganha, a responsabilidade é sua. pai, mãe, governo, chefe, tudo isso pode ter acontecido, e a pergunta continua sendo o que você vai fazer com isso.

numa constelação, uma psicóloga deu um exemplo que nunca esqueci. você encontra o vizinho no hall, pergunta se tá tudo bem, ele diz que sim, e a conversa acaba ali. outro dia ele diz que não, que bateu a perna, que dormiu mal, e pronto, você fica, escuta, indica médico, quer resolver. na dor você tem companhia, no sucesso você tá sozinho. é feio, mas é verdade. por isso tanta gente não sai da reclamação.

quem quer faz, quem não quer arranja desculpa. conheço gente sem perna andando mais rápido do que muita gente com as duas. a culpa é um sentimento infantil e a responsabilidade é um sentimento adulto. e o ponto de vista muda tudo: faltam cinco dias pro fim do mês e ainda faltam dois mil reais é o mesmo problema que ainda tenho cinco dias pra conseguir os dois mil. a teoria do carro branco de novo, você encontra o que você procura.

quarto passo: worklover

com tudo isso claro, você recorta o que vai fazer e como vai monetizar. é a interseção do que você ama, do que você tem habilidade e do que alguém paga. se ama e ainda não tem habilidade, habilidade se adquire. falam em 10 mil horas pra virar especialista, uns três anos olhando pro mesmo assunto, e três anos passam rápido.

expliquei que vejo três jeitos de viver isso no dia a dia. ter o próprio negócio fazendo o que ama, com as partes chatas que todo adulto tem. ter uma empresa que te paga pra fazer o que você ama todo dia. ou ter um trabalho que não é o que você ama, mas que patrocina o que você ama, tipo aquela propaganda antiga da heineken em que o cara toma choque na geladeira e ainda assim bebe a cerveja feliz. em todos eles, a base é saber o que você gosta.

worklover não é workaholic. o workaholic tem problema no corpo, nos relacionamentos, vive pro trabalho. o worklover trabalha por amor. e a gente precisa estar perto de gente que joga álcool no nosso fogo, como diz rumi. o oscar schmidt disse que queria ser lembrado como o cara que mais treinou, e não como o maior cestinha. ele amava o treino, o resultado veio de brinde. quem faz o que ama se destaca, e quem não faz, uma hora alguém percebe.

no desafio de posicionamento de 21 dias tem um exercício de visualizar pai e mãe e agradecer, e muita gente chega pensando só em conteúdo técnico e sai mexida com isso. não dá pra abrir espaço pro que vem se você não agradeceu o que já recebeu, a começar pela vida. e eu acredito em subir um degrau e ajudar quem tá no degrau de baixo a subir também. já me frustrei com amigo que não acreditou lá no começo e hoje pede ajuda. eu digo: beleza, começa. ajudar dando o peixe pronto só piora. lembrei de um menino que me pediu um acarajé e, quando ofereci cinquenta reais por um dia de trabalho, preferiu só o acarajé.

quinto passo: lovenicho

o último passo foi o lovenicho, o nicho do amor. quem você quer que acorde do seu lado todos os dias, o cliente que você ajudaria mesmo sem ganhar nada. quando você encontra essa pessoa, você entrega com prazer, ela percebe, te reconhece e te paga, e aí entram os três pilares, reconhecimento, prazer e dinheiro. o cara que vende cachorro-quente por prazer vende mais e é mais indicado do que o que vende por obrigação. se você começa pensando no dinheiro, vai atrás de quem pode pagar, e nem sempre quem pode pagar é a sua gente.

falo pra uma pessoa ou pra 600 com o mesmo prazer, porque o que importa é o que eu falo e pra quem eu falo. e ali eu contei um segredo: plantei árvore lá na roça, que hoje tem mais de 25 metros, já tinha meus filhos, e faltava o livro. o tema seria a marca que nasceu com você, começando pela origem. porque às vezes a frustração da infância é o que forjou quem a pessoa é hoje. o menino que cresceu sem o pai e aprendeu a se virar e a fazer conexão tem o que agradecer, por mais estranho que pareça.

você é o resultado de tudo que viveu, e já tem o que precisa pra chegar aonde quer. o resto é com você. qual desses cinco passos tá travado aí?

fui. 💚

gostou? manda pra quem precisa ler.
carta do kerk

um lampejo por e-mail, quando valer.

sem frequência fixa e sem encher sua caixa.

do silêncio ao barulho

se você não escolhe quem é, o mundo escolhe por você.

e quando o mundo escolhe, ele simplifica, rotula, empacota. sua marca começa com uma escolha, antes de qualquer post. bora?

onde há paixão, não há imitação.

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