café com branding on: cinco adjetivos pra sua marca pessoal
o café com branding ia ser presencial, em salvador e recife. veio a quarentena e a gente levou pro online. com a carol mazzochin, falei de como tirar do papel o que você já é, a partir de quatro perguntas e cinco adjetivos.
o café com branding estava marcado no presencial, em salvador e depois em recife. aí veio a quarentena, em março de 2020, e a gente não quis deixar de fazer. levamos pro online, eu e a carol mazzochin, com a turma na tela e o chat aberto. a carol resumiu bem logo no começo: em época de muito barulho na internet, se posicionar de forma autêntica é essencial. a ideia daquela noite era simples, ajudar cada pessoa a pegar o que já tem e passar a usar de propósito.
o número que importa
comecei pelos números, porque a gente dá pouca atenção a eles. você posta, cinquenta pessoas curtem, trinta te agradecem, aí vem uma pessoa só e fala mal, e você trava e não fala mais daquilo. uma pessoa não é número relevante. quando alguém me diz que "várias pessoas falaram", eu pergunto quantas. quase sempre são duas, e nenhuma das duas tem o perfil do público.
o número que vale a pena olhar é outro. numa pesquisa da nielsen, 92% dos consumidores disseram confiar mais na indicação de um amigo ou familiar do que em qualquer propaganda. a gente sabe que a marca quer vender. o amigo não ganha nada indicando. e as grandes marcas só ficaram grandes porque pessoas com influência usaram, falaram e assinaram embaixo. marca é feita de gente.
de onde vem a palavra
pra quem é designer, marca pessoal parece um símbolo que representa a pessoa. não é disso que eu falo. brand vem de queimar. era a marca a ferro no gado, pra dizer de quem era. depois, no comércio, servia pra saber de onde vinha o feijão, se dava pra confiar. marca pessoal é o que já é seu e as pessoas já percebem. a gente vê isso numa criança, aquela que é engraçada, a quieta, a que canta o dia inteiro. personal branding é a gestão disso, o gerúndio, continuar marcando.
e identidade pessoal é o que você usa de propósito pra ser lembrado. com dezesseis anos, vendendo numa loja de surf perto da estação da lapa, eu perdia venda porque o cliente voltava no fim de semana e não lembrava meu nome. comprei umas camisas florais e passei a dizer: procura o menino da camisa floral. em duas semanas, todo mundo procurava. não precisa ter dez roupas iguais no armário. precisa repetir com consistência. vale pro cabelo, pro acessório, pro tom de voz, pro bordão, pro emoji. quem me acompanha já reconhece os meus, e eu uso conscientemente.
o vídeo da carol
no meio, passei um vídeo da carol, gravado numa garagem no vale do silício, falando de quem gosta de muitas coisas e é chamado de desfocado por isso. leonardo da vinci era pintor, engenheiro, anatomista, e hoje ninguém chama de louco. foi juntar tudo que fez ele diferente. você não precisa abrir mão do que gosta. uma engenheira que ama dança pode ser a engenheira dos grandes estúdios de dança.
e ela contou que, pra gravar aquilo, leu tudo no teleprompter, naquela velocidade, hehe.
quatro perguntas
antes do exercício, fizemos uma respiração, cinco segundos pra entrar e cinco pra sair, pra cada um escrever o que vinha primeiro, sem filtrar. depois, quatro perguntas, cada uma com pelo menos cinco adjetivos.
como você se vê? bom ou ruim, tanto faz, escreve.
como você é vista? essa vai além da live. mande pra três pessoas da família, três do trabalho e três amigos uma pergunta só: se você fosse me apresentar pra alguém, como me apresentaria? de quem convive com você no presencial, não do instagram. se os três grupos te veem igual, você já é autêntica, é só levar isso pro online. se cada grupo te vê de um jeito, alguma coisa está desalinhada. tem gente que é toda brincalhona com as amigas e toda contida no trabalho, e vira dois extremos. sendo quem é nos dois lugares, fica equilibrada.
como você quer ser vista? lembre que tem que ser algo que você sustenta. não adianta a pessoa introspectiva querer ser vista como espontânea de uma hora pra outra.
e como você não quer ser vista? tão importante quanto as outras. tive uma cliente que não queria ser vista como menininha e se vestia como menininha pra toda reunião. ela nunca tinha percebido.
a peneira
de todas essas palavras, você tira cinco. esses cinco adjetivos viram a sua peneira. tudo que eu faço, post, artigo, vídeo, passa por ela. isso mostra isso? mostra aquilo?
uma participante trouxe os dela, entre eles energia, força e coragem. aí a escolha fica mais fácil. força pede tipografia fina e cor pastel, ou letra mais parruda e cor vibrante? energia pede texto parado, alinhado, ou letras com movimento? e não para no visual. se você diz que é bem humorada e manda um áudio sem uma risada, a comunicação não fecha. no começo é chato. depois de dez, quinze, vinte vezes, fica natural.
outra trouxe "segura" e ficou com medo de soar mandona. a carol sugeriu ressignificar: segura de quê? segura do que faz, responsável, capaz. e eu lembrei que tem muita gente que se dá melhor justamente com quem é direto e toma decisão.
é por isso que eu não uso arquétipo em marca pessoal. pra empresa funciona bem. pra pessoa, vira um intermediário. você é um pouco mago, um pouco sábio, um pouco bobo, e tem que traduzir os três. adjetivo até criança entende.
pontos de contato
ponto de contato é todo lugar onde você encontra alguém. o instagram, o whatsapp, o cartão, o telefone, o panfleto no mural. liste todos e pense em cada um com os seus cinco adjetivos. a primeira impressão acontece em frações de segundo, e no feed o post passa voando: a foto, o nome, a cor, a letra. ou você mostra logo o que é, ou a pessoa passa.
o nome
fechamos com o nome profissional, o que vai no arroba, no domínio, no e-mail, no jeito que te chamam. fiz uma tabela com as opções de nome nas linhas e, nas colunas, poder, facilidade, os cinco adjetivos e a disponibilidade. o que mais pesa é o poder. feche o olho, imagine alguém te chamando por aquele nome pra receber um prêmio e veja como você se sente. se não te dá poder, não use. a facilidade conta, mas não elimina, porque um nome difícil você resolve antecipando a explicação.
na minha época de decidir, fiquei entre dois sobrenomes. um amigo me ajudou a escolher, e kerk ganhou porque já era meu apelido. a carol completou com uma coisa que eu assino embaixo: ela passou dois meses travada procurando um nome criativo pro curso dela, até botar um nome simples e começar. hoje é apaixonada por ele. o nome vai ganhando significado quando você coloca no mundo.
quais são os cinco adjetivos que passariam na sua peneira?
fui. 💚


