
olha, deixa eu te levar numa cena.
você saiu de uma reunião esses dias. se despediu, fechou a porta, e o povo ficou lá dentro. nesse exato segundo, sem você por perto, alguém solta uma frase sobre você. pode ser “esse aí é fera”. pode ser “sei não, achei meio perdido”. seja qual for, guarda ela. porque essa frase é a sua marca pessoal.
marca pessoal é o que falam de você quando você já não tá mais na sala.
o que vale é o que fica depois da porta
e tem uma parada incômoda aí. você não tava presente pra defender a sua versão. valeu só o que ficou depois que a porta bateu.
a gente cresce achando que marca pessoal é o que a gente fala de si. o quanto você é bom, o quanto você entrega. só que o jeito que você se vê, por mais importante que seja, não segura nada sozinho. se ninguém enxerga o que você enxerga em você, você fica parado. tem até nome pra isso, mindset fixo. você ali se achando, e o mundo seguindo sem confirmar.
agora, quando é uma pessoa só falando, tudo bem, pode ser implicância. mas quando várias pessoas diferentes te devolvem a mesma percepção, para de reclamar e escuta. porque aí não é má vontade de ninguém. é padrão. e ignorar padrão é como levantar a casa dos sonhos inteira pra, no fim, descobrir que você construiu no terreno errado.
você não controla a sua sala
aí vem a parte que ninguém gosta de ouvir, hehe. você não controla a sua sala. a sua reputação chega antes de você em qualquer porta que você for abrir, e ela foi escrita por outras pessoas, na sua ausência, com base no que sentiram do seu lado. você não entra numa reunião com uma plaquinha na mão explicando quem é. o que entra antes de você é o que já falaram de você.
e não adianta brigar com isso no grito. você não convence ninguém a te achar bom na marra (aliás, quanto mais você empurra a sua própria versão, menos gente compra). esse é o erro de quase todo mundo que faz marketing pessoal sem entender de marca.
o que sobra na sua mão
então, se você não controla o que falam, o que sobra na sua mão?
sobra a única coisa que sempre foi 100% sua: quem você é quando ninguém tá pedindo pra você ser nada. a sua essência. e o trabalho de marca pessoal, o de verdade, começa por dentro. antes de qualquer imagem pra fora, ele te faz escutar o que você já é, pra que o que fica na sala depois seja real, e não uma atuação que uma hora cansa e escorrega.
porque atuação até engana uma sala. dez ela não engana. a incoerência vaza. as pessoas sentem quando o que você mostra não bate com o que você é, mesmo sem saber explicar o que sentiram. e sentem o contrário também. quando bate, elas relaxam e confiam. e aí acabam falando bem de você numa sala que você nem sabia que existia.
pega o lampejo: quanto mais você anda igual ao que fala, mais gente fala bem de você em sala que você nunca pisou. a coerência trabalha por você enquanto você dorme.
por isso eu começo pelo avesso
por isso eu começo todo trabalho pelo avesso do que esperam. antes de post, de bio, de posicionamento, a gente senta e cava quem você é de verdade. porque marca não se inventa, se revela. o que já tá em você é a matéria-prima. o resto é deixar o mundo perceber sem ruído no meio.
então fica a pergunta, e responde ela pra você mesmo, sem pressa. se você saísse de uma sala agora, o que você ia querer que falassem? e o quanto do que você faz hoje tá te levando pra lá?
fui. 💚
publicado primeiro na carta do kerk, no substack. ver o original →


