
faz anos que eu ajudo gente a fazer barulho no mundo. a se posicionar, a marcar, a virar referência no que faz. e durante um tempo bom da minha vida, o cara que fazia isso pros outros vivia caladinho sobre si mesmo. escondido atrás do trabalho dos clientes, com vergonha de mostrar a própria casa. tem uma ironia boa nisso, né? rs
então deixa eu me apresentar de verdade, que é o mínimo pra quem vai me ler por aqui.
da roça pra salvador
eu nasci na capital mas cresci na roça. salvador de um lado, o interior com o tempo largo do outro, e eu no meio tentando juntar as duas coisas a vida inteira. na roça o tempo é largo, o cheiro é de terra molhada depois da chuva, e você aprende a ler o silêncio de quem chega antes da pessoa abrir a boca. talvez branding pra mim tenha começado ali, muito antes de eu saber que aquilo tinha nome.
minha primeira logo eu fiz em 1998. de lá pra cá foram quase três décadas mexendo com marca, com design, com gente. lá em 2008 eu já falava de branding pessoal aqui na bahia, num tempo que esse assunto ainda soava estranho pra muita gente por essas bandas. e não foi na teoria. eu sempre marquei. sou meio a prova viva do que ensino, pro bem e pro mal.
ambidestro
o que me diferencia talvez seja isso que eu chamo de ser ambidestro. eu manjo do design, da parte dura, hierarquia, grid, cor, forma. e manjo da parte macia também, aquela que quase ninguém junta com marca: constelação, hipnose, terapia, autoconhecimento em geral. tem muito designer se dizendo brander sem entender de gente, e muito brander que não sabe nada de design. eu fico no meio, costurando os dois. sou nexialista por natureza, gosto de juntar mundos que ninguém botou na mesma mesa. culinária com branding. espiritualidade com posicionamento. o axé com a estratégia.
o que eu escondi por anos
deixa eu te dizer uma coisa que eu escondi por anos. porque marca que marca não é só vitrine bonita.
teve um tempo que eu faturava mais de trinta mil por mês como designer, com fila de cliente esperando. e teve o tempo depois desse, que é o que quase ninguém viu. dois anos de depressão. um casamento que acabou. voltar pra casa da minha mãe já homem feito, sem carro, sem moto, sem conseguir dar o conforto que eu queria dar pra quem eu amo, sem poder pagar as coisas dos meus filhos. gravar meus vídeos num canto que nem tinha a minha cara.
não vou romantizar isso pra você. não foi lição bonita de superação com trilha sonora ao fundo. foi buraco. foi vergonha de verdade, dessas que travam a garganta na hora de aparecer. eu, que ensinava os outros a se mostrarem, não conseguia me mostrar. sabia que meu trabalho valia, sentia isso no corpo, e mesmo assim penava pra vender um branding de cinco mil sabendo que valia dez vezes mais.
o silêncio que virou método
foi no fundo desse silêncio que eu entendi a coisa que virou meu método.
a gente vive numa pressa danada pra fazer barulho. postar sem parar, gritar mais alto que o vizinho de perfil. só que ninguém faz barulho que presta sem antes escutar o próprio silêncio. o meu me obrigou a parar e ouvir. e o que eu ouvi foi que eu tinha me deixado de castigo em algum lugar, tinha parado de jogar o jogo com medo de perder de novo.
silêncio pra mim carrega matéria-prima. é o lugar onde a coisa nasce antes de virar barulho. antes de qualquer estratégia, antes de qualquer post, tem um chão de autoconhecimento que quase todo mundo pula. eu resolvi não pular mais. e resolvi fazer disso o meu caminho, não só a minha ferida.
tem uma frase que eu carrego e que resume o que eu acredito: escute seu silêncio para fazer o barulho que deseja. essa newsletter se chama do silêncio ao barulho justamente por causa disso.
quem eu sou hoje
hoje eu me apresento como brander, mas voltei pra faculdade estudar psicologia. quero ser psicólogo de marcas pessoais, não só mais um expert que promete e some. depois de tantos anos lendo gente na intuição, eu quero ler com método também.
sou filho de xangô, devoto de são miguel arcanjo, universalista no que acredito. baiano de salcity com muito orgulho, desses que não troca o oxente por ok. o espiritual pra mim caminha junto com o estratégico, mas de um jeito sagaz, nunca como enfeite pra vender nada.
e sou worklover®. trabalho com paixão por escolha, não por vício. tem dia que confundo os dois, admito, mas a paixão pelo que faço é a coisa mais verdadeira que eu tenho pra oferecer.
por que escrever agora
eu demorei pra escrever isso aqui. anos, na real. mas aprendi que uma marca pessoal nunca recomeça do zero. tudo que eu vivi, inclusive o buraco, virou material.
essa newsletter é onde eu vou dividir esse caminho sem filtro. o silêncio e o barulho, a queda e a volta, o que eu ensino e o que eu ainda tô aprendendo. sem pose de guru, porque guru eu não sou.
então fica o convite e fica a pergunta que eu te devolvo: qual barulho você tá querendo fazer no mundo que o seu silêncio ainda não deixou sair?
fui. 💚
publicado primeiro na carta do kerk, no substack. ver o original →


