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worklover®

uma segunda ok pra uma semana foda

sobre a armadilha de começar tudo no susto, e por que o básico bem feito, repetido sem pressa, ganha de qualquer explosão de segunda-feira.

por kerkbrander · fabiokerk®
· 4 min de leitura
uma segunda ok pra uma semana foda

deixa eu te contar uma coisa que talvez você faça sem nem perceber.

a segunda que vai ser diferente

toda segunda você acorda com aquela vontade de fazer diferente. dessa vez vai. começa o mês, começa a dieta, começa a academia pela décima vez, começa o projeto que tava engavetado. e você deposita nessa segunda uma expectativa do tamanho de um prédio. só que basta uma coisinha sair fora do combinado pra tudo desandar. a frequência cai, e ela puxa o resto junto igual dominó.

e a segunda é só o rótulo mais óbvio disso. porque essa mesma cena se repete em quase tudo. a expectativa gigante que você põe num encontro muito aguardado. no primeiro dia de um esporte novo. num jantar naquele restaurante que você namorou a semana inteira. em voltar a ler com frequência. em começar a postar. na academia, de novo, sempre pela décima vez.

a criança e o adulto

essa empolgação toda, essa ansiedade, essa expectativa lá no alto, é a criança dentro da gente que ainda não amadureceu. o adulto sabe que precisa de paciência. sabe que nem tudo vai sair como no roteiro. tá preparado pra lidar com a frustração e seguir firme mesmo assim. ou pelo menos deveria ter essa noção, principalmente sobre paciência e sobre realidade.

quando não tinha internet, quando a gente não passava o dia comparando a própria vida com a de centenas de milhares de pessoas em tempo real, dava pra se dedicar a uma coisa no seu próprio tempo. hoje você começa e em cinco minutos já viu alguém três passos na frente. aí bate a pressa. e a pressa estraga tudo.

uma segunda ok

vale mais uma segunda ok. uma terça ok. uma quarta ok. e no fim da semana você olha pra trás e percebe que ela foi foda. é isso que a constância faz. quanto mais você faz o básico bem feito, com o tempo mais você parece fora da curva. só que quase ninguém sustenta o básico bem feito, porque no meio do caminho aparece o concorrente, a ansiedade, a comparação, o “preciso disso”, o “tenho que”, a pressão, a autocobrança que não dá trégua.

a segunda que eu vivi na pele

teve uma segunda que eu vivi isso na pele. acordei elétrico, madruguei. treinei cedo, li, escrevi, meditei, bati aquele cafezão, trabalhei que nem condenado, entreguei um monte. passei o dia tão ligado no 220 que quando foi de noite eu não consegui desligar pra dormir. acordei na terça arrasado. e aí a entrega já não foi a mesma. eu pensei, o que fiz ontem compensa, amanhã na quarta eu recupero. só que não foi bem assim. a frustração me travou mais do que me moveu. e ficou aquela ideia manjada no fundo da cabeça, segunda que vem eu tento de novo. que já era repetida. já tava no meu condicionamento. e capaz que no seu também, e no de muita gente por aí afora.

o excesso de entrega numa segunda mina a sua energia pro resto dos dias. então distribui. mantém uma média real, que se sustenta, que não te quebra. no fim da semana você se sente vitorioso, pode confiar. e isso não é apenas sobre sua semana.

devagar é o combinado

começa devagar. vai aumentando aos poucos, esperando cada novidade virar hábito antes de empilhar a próxima. e daqui a alguns meses você percebe que tudo se encaixou e nem dói mais. tem um estudo da phillippa lally, lá da university college london, que mediu justamente isso. um hábito leva em média uns 66 dias pra virar automático, não os 21 que vendem por aí, e varia demais de uma pessoa pra outra e de um hábito pro outro. quer dizer, é pra ser devagar mesmo. faz parte do combinado.

toda novidade cobra mais energia da gente. e o cérebro é econômico por natureza, ele prefere o que já conhece porque o conhecido custa barato. o novo custa caro, pede atenção, foco, presença. então ele resiste, empurra pra depois, arruma uma desculpa boa. só que depois que você começa a ver o ganho, e aquilo vira rotina, o custo despenca. deixa de ser aquele esforço todo se jogar no novo.

pensa em tanta coisa que hoje você faz sem nem pensar e talvez nem lembre mais do quanto foi difícil no começo. beijar. namorar. dirigir. treinar. escrever. teve um dia que cada uma dessas foi um perrengue danado. você passou por todos os estágios, do não saber que não sabe até o fazer sem nem perceber que sabe. é assim que funciona. sempre foi.

do silêncio ao barulho

e escrever aqui entra na mesma conta. faz tempo que esse texto vivia em silêncio dentro de mim, esperando o tal momento certo que nunca chega inteiro. pois é, o momento é esse, agora, do jeito que dá. do silêncio ao barulho, uma linha de cada vez. semana que vem eu espero estar aqui de novo. uma segunda ok, depois uma terça ok, e quando eu perceber vai ter virado hábito, e nem vai mais doer, hehe.

então fica a pergunta que eu tô me fazendo enquanto escrevo isso. onde na sua vida você tá esperando a segunda-feira perfeita que nunca vem, quando bastava começar hoje, meia-boca, e só repetir amanhã?

fui.
💚

termos do glossário neste texto

publicado primeiro na carta do kerk, no substack. ver o original →

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carta do kerk

um lampejo por e-mail, quando valer.

sem frequência fixa e sem encher sua caixa.

do silêncio ao barulho

se você não escolhe quem é, o mundo escolhe por você.

e quando o mundo escolhe, ele simplifica, rotula, empacota. sua marca começa com uma escolha, antes de qualquer post. bora?

onde há paixão, não há imitação.

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